LIVEABOARD EM ABROLHOS

COMO É FICAR NUM LIVEABOARD EM ABROLHOS/BA?

Viagem de Abril de 2021

O liveaboard (pernoite a bordo de uma embarcação) em Abrolhos é a melhor forma e a mais completa de mergulhadores conhecerem o Arquipélago dos Abrolhos. As embarcações são totalmente preparadas e equipadas para os mergulhos e hospedagem a bordo da embarcação, tornando possível passar a noite em alto-mar.  Além dos mergulhos, o liveaboard em Abrolhos conta com o desembarque em duas das cinco ilhas do Arquipélago, a Ilha Siriba e a Ilha Santa Bárbara para visitar o farol sob comando da Marinha do Brasil.

Em Abril de 2021, nós da Acqua Sub fizemos uma viagem para Abrolhos com 2 pernoites (3 dias e 2 noites), e aqui vamos contar um pouco de como foi essa viagem.

Como chegar em Abrolhos?

A capital Vitória-ES é atualmente uma das melhores cidades, com o melhor custo-benefício para quem vem de outros estados rumo a Abrolhos, principalmente por contar com estruturas de uma capital e aeroporto. A distância de Vitória a Caravelas – BA (onde embarcamos para o Parque Nacional Marinho dos Abrolhos) é de apenas 404 km.

Reunimos a nossa turma na Acqua Sub, por ser um ótimo local para concentrar pessoas de várias partes do mundo para irmos a Abrolhos, devido a localização estratégica perto do aeroporto de Vitória – ES, de bons hotéis e da Praia de Camburi.

Galera reunida na Acqua Sub para saída do micro-ônibus rumo a Abrolhos.

Saímos num micro-ônibus no dia 09 de abril às 22:30h rumo a Caravelas – BA e chegamos lá as 04:00h da manhã do dia 10 de abril. A viagem foi muito tranquila! Seguimos todos os procedimentos de prevenção a COVID-19, inclusive na embarcação durante os 3 dias de mergulhos fantásticos. Embarcamos logo que chegamos ao píer na embarcação Andarilho, da empresa parceira Horizonte Aberto. Tomamos um café da manhã reforçado e fomos relaxar em nossos aposentos. Nosso grupo foi de 10 mergulhadores, eu (Ivan) como instrutor, e 5 dedicados tripulantes da embarcação.

Durante a navegação (que dura cerca de 3h) o mar estava um pouco batido devido ao vento sul e a ondulação, que já estava perdendo força, mas que foi o suficiente para que alguns permanecessem na horizontal para não enjoarem.

Assim que chegamos ao Arquipélago ouvimos o “briefing” sobre o Parque Nacional Marinho dos Abrolhos e dos mergulhos, que foi brilhantemente dado pelo Gil e pelo Gabriel, os Divemasters da embarcação. Geralmente, quem nos recebe é a equipe do ICMBio, mas infelizmente dessa vez o pessoal não pôde nos receber devido as novas regras da pandemia do COVID-19.

Após os “briefings” fomos nos preparar para o nosso primeiro mergulho.

Dia 1 – 10/04

1° Mergulho

  • Ponto: Portinho Norte
  • Profundidade: 7 metros
  • Visibilidade: 5 metros
  • Temperatura: 27º C
  • Tempo de fundo: 40 minutos

Fizemos o primeiro mergulho no Portinho Norte da ilha Santa Bárbara devido ao vento, pois era o melhor lugar para fundear a embarcação. Este mergulho é chamado de “dive check”, quando checamos nossas habilidades e o lastreamento adequado. Muitos mergulham somente em águas mais frias e quando vão para lá usam roupas mais finas ou nem usam roupa de neoprene. Apesar do mergulho sem muitas expectativas vimos um enorme badejo, de 1 metro de comprimento, que nos acompanhou da metade do mergulho até a subida a superfície, quando ficava olhando para gente sem sair do lugar. Que meigo… (risos). Também vimos cardumes de cocorocas, salemas, e muitos corais, é claro. Estamos em um dos maiores bancos de corais da América do Sul e com a maior biodiversidade do Brasil.

Após o primeiro mergulho, saboreamos os deliciosos pratos preparados pela tripulante Maria. Segundo os tripulantes, a pessoa mais importante da embarcação (risos).

2° Mergulho

  • Ponto: Chapeirinhos da Sueste
  • Profundidade: 15 metros
  • Visibilidade: 6 metros
  • Temperatura: 27º C
  • Tempo de fundo: 30 minutos

Depois de digerirmos o maravilhoso almoço, fomos para os Chapeirinhos da Sueste. Este ponto recebe este nome por serem formações de corais em formato de cogumelo, porém pouco menores do que os que ficam por fora das ilhas, e também por se localizar perto da ilha Sueste – área intangível para o mergulho e visitação. 

Como fiquei mais focado no treino de navegação subaquática do Curso Avançado com o meu aluno, não percebemos muitos peixes. Mas usamos as formações coralíneas para a execução dos trajetos de navegação.

O melhor foi que quando subimos tinha logo um maravilhoso lanche nos esperando. Apesar de perdermos mais de 800 calorias por hora no mergulho, repomos em dobro com o quitutes servidos a bordo.

3° Mergulho

  • Ponto: Portinho Norte
  • Profundidade: 7 metros
  • Visibilidade: 5 metros
  • Temperatura: 27º C
  • Tempo de fundo: 40 minutos

Fizemos o mergulho noturno no Portinho Norte. Vimos muitos daqueles peixes que havíamos visto durante o dia dormindo ou com movimentos mais reduzidos, como: bodiões azuis, badejos quadrados, peixes cofre, etc. Em contrapartida, vimos vários outros animais de hábitos noturnos fora de suas locas, tais como: lagostas, moréias, raias e muita vida atraída pela luz das lanternas.

Saímos da água, tomamos aquele banho quente e fomos comer uma super lasanha feita na hora. Conversamos um pouco sobre os mergulhos e capotamos na cama.

Dia 2 – 11/04

1° Mergulho

  • Ponto: Naufrágio Guadiana
  • Profundidade: 24 metros
  • Visibilidade: 5 metros
  • Temperatura: 27º C
  • Tempo de fundo: 40 minutos

Acordamos cedo, tomamos café e fomos navegando para o naufrágio Guadiana. O mar estava espelhado, totalmente diferente do dia anterior. No caminho fomos assistindo o briefieng do Divemaster com o croqui do naufrágio aberto, no qual incluía sua história, pontos de interesse e possíveis passagens. O mergulho foi muito legal! Conseguimos fazer de proa a popa e retornar com ar suficiente para a parada de segurança. Fui com um aluno do Curso Avançado e outro do curso de especialidade em Naufrágio, ambos executaram muito bem suas tarefas.

Subimos da água, e advinha só o que tinha? Mais lanche (risos).

2° Mergulho

  • Ponto: Naufrágio Rosalinda
  • Profundidade: 18 metros
  • Visibilidade: 5 metros
  • Temperatura: 27º C
  • Tempo de fundo: 40 minutos

Logo em seguida do primeiro mergulho do dia, fomos para o naufrágio Rosalinda, assistindo atentamente o briefing do naufrágio. Agora iria fazer o treinamento com 3 alunos do curso de especialidade distinta da PADI de Conservação de Tubarões. Isso porque lá é um ponto de mergulho com ocorrências de tubarões de recife. E não é que a turma viu!? Porém, foi de cima do barco somente, além do enorme cardume de barracudas. Fomos animados para ver os bichos. Descemos e logo fizemos umas fotos na roda de leme, depois fomos para o hélice e demos de cara com duas barracudas, que foram devidamente filmadas. Continuamos em direção a proa, onde vimos o tal cardume de barracudas com provavelmente mais de 15 indivíduos, medindo aproximadamente 1,80 metro cada. Lindas!

Depois fomos para ilha Siriba, onde fundeamos e comemos um maravilhoso almoço servido com a costumeira fartura.

3° Mergulho

  • Ponto: Língua da Siriba
  • Profundidade: 10 metros
  • Visibilidade: 6 metros
  • Temperatura: 27º C
  • Tempo de fundo: 40 minutos

Almoçamos e fomos em seguida descansar. Alguns resolveram passear de caiaques e outros fazer snorkeling e apreciar as tartarugas, raias e peixes frades do local.

Ficamos tão empolgados com o local que perguntamos da possibilidade de fazermos um mergulho na Língua da Siriba. Como alguns não tinham mergulhado na noite anterior e não iriam no noturno outra vez, bem como não iriam fazer todos os mergulhos, usamos este argumento. Mesmo sabendo que não teríamos tal direito por não estar incluso no pacote, conseguimos este mergulho extra, que a tripulação gentilmente nos concedeu. Vimos os costumeiros cardumes de cocorocas, salemas, cirurgiões e bodiões, bem como alguns badejos enormes. Fizemos um mergulho que não foi bem um “drift” (mergulho à deriva) mas o barco veio nos buscar ao final sem a necessidade de retornar nadando.

Após este mergulho fizemos o desembarque na ilha Siriba, onde podemos ouvir mais sobre as aves marinhas da região (esta ilha é lar de várias delas) e também sobre a fauna marinha.

4° Mergulho

  • Ponto: Portinho Sul
  • Profundidade: 10 metros
  • Visibilidade: 6 metros
  • Temperatura: 27º C
  • Tempo de fundo: 40 minutos

Após apreciar o pôr do sol da ilha Siriba, navegamos para a ilha Santa Bárbara a fim de realizarmos o mergulho noturno no Portinho Sul e no Mato Verde. Foi maravilhoso! Uma explosão de vida marinha. Além das tartarugas verde, cabeçuda e de pente, algumas dormindo e outras não, vimos bodiões na sua bolha de proteção, bodiões azuis, raias, badejos quadrados, lagostas, camarões palhaço, moréias, peixes cofres, etc. O que mais nos chamou a atenção foi a quantidade de manjubas que vimos atraídas pela luz. Em alguns momentos não enxergávamos nada além das manjubas. Chegou a ser engraçado, pois ao subir no barco e desequiparmos notamos uma grande quantidade delas em nossas roupas e equipamentos, alguns clientes tinham até no cabelo. Parecia até cena de desenho animado, nunca tinha visto algo parecido.

O meu aluno do Curso Avançado fez seu primeiro mergulho noturno de treinamento. Ele foi privilegiado.

Dia 3 – 12/04

1° Mergulho

  • Ponto: Chapeirão Faca Cega
  • Profundidade: 28 metros
  • Visibilidade: 10 metros
  • Temperatura: 27º C
  • Tempo de fundo: 40 minutos

Acordamos com o sol nascendo, tomamos um cafezinho, comemos uns biscoitos e umas frutas, nada demais. Navegamos cerca de 40 minutos e chegamos no ponto de mergulho Chapeirão Faca Cega. Uma linda formação de chapeirões, no qual se formam passagens para um grande salão central. Uma visão exuberante! Lá executei juntamente com o meu aluno o treinamento do mergulho de aventura do Curso Avançado – profundo. Ao subirmos no barco tomamos um super café da manhã que já estava nos esperando.

2° Mergulho

  • Ponto: Naufrágio Santa Catharina
  • Profundidade: 28 metros
  • Visibilidade: 10 metros
  • Temperatura: 27º C
  • Tempo de fundo: 40 minutos

Pessoalmente, este naufrágio é o mais legal da “trilogia” das histórias dos naufrágios de Abrolhos. Apesar de saber que existem mais, os mais visitados são os que fizemos nesta viagem e abordamos aqui. O contexto do afundamento deste se passa na época da I Grande Guerra Mundial. Ele foi capturado e afundado em 1914. Ele tem muita história por trás.

Briefing do Naufrágio Santa Catharina sendo ministrado pelo Divemaster da embarcação.

Logo na descida vimos uma enorme barracuda, depois um enorme badejo e cardumes de salemas e cocorocas. Também fizemos um brinde com as garrafas de cervejas deixadas propositalmente para fotos (risos). O objetivo deste mergulho era fechar o treinamento do curso de especialidade distinta da PADI e do Project AWARE de Conservação de Tubarões com três alunos.

Finalizamos esta sequência de mergulhos com um gostinho de quero mais e muito felizes pela realização de todos os treinamentos. Esperamos a turma para as nossas próximas aventuras.

Obrigado! Nos vemos na próxima!

Nos acompanhe em nossas redes sociais para ficar por dentro de tudo o que acontece na Acqua Sub!

Por:

Ivan Costa Santos

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