A Importância do Treinamento de Resgate

Já presenciei muitas pessoas tendo atitudes que as expunham ao risco desnecessário em diversas atividades inclusive no mergulho. Este risco desnecessário advém da falta de conhecimento ou da imprudência ou da negligência em realizar aquela atividade.

Mas antes de acontecer uma situação de emergência você tomou algumas decisões. Portanto, uma emergência depende de um julgamento anterior.

A maioria das atividades de aventura têm um grau de risco, umas mais outras menos. Mas o que é o risco?

Risco é a exposição ao perigo.

Então você poderia dizer: “Eu não vou fazer mais nada que tenha risco.” Sim, é uma escolha sua. Mas até ficar passando todos os seus momentos de folga sentado numa poltrona bem confortável e usando o seu smartphone tem um grau de risco. Os cardiologistas, neurologistas, ortopedistas e uma série de especialistas poderão lhe explicar melhor.

Ok, se você quer ter uma vida plena então correrá riscos. Porém como minimizar os riscos?

O termo “risco controlado” é comum em vários setores desde o mercado financeiro até a indústria. A propósito, na indústria, mais especificamente numa de minhas áreas de atuação: o mergulho comercial; existe a Análise Preliminar de Risco.  Consiste em analisar todos os riscos inerentes a execução do serviço e buscar as alternativas de mitigação dos riscos. Isso torna a atividade bastante segura.

 Apesar de que o mergulho recreativo desfrute de um registro de segurança invejável, devemos aceitar que problemas podem surgir em qualquer momento devido a várias condições, desde um problema médico não diagnosticado até um mal funcionamento mecânico inesperado.

A falha em prever riscos, um mal julgamento, é que leva a emergências no mergulho.

Um bom treinamento com muita prática e uma boa fundamentação teórica ajuda a desenvolver esta análise de risco. Antes do mergulho um bom planejamento, uma boa avaliação das condições e técnicas e uma lista de verificação pré-mergulho são responsabilidades de cada mergulhador. Muitas vezes percebo alguns mergulhadores delegando suas responsabilidades. Essa atitude é uma forma de negligência. A montagem de equipamentos é um exemplo. Muitas operadoras fazem a gentileza de montar os equipamentos de seus clientes, entretanto é responsabilidade de cada conferir e ajustar a sua configuração. Outra prática preocupante, é com relação a execução do plano do mergulho, isto é, o guia é quem monitora a profundidade, o gás e o tempo dos mergulhadores. Alguns não mergulham nem com relógio ou muito menos com um computador de mergulho. Tenso… porém real no Brasil.

É interessante saber que no curso básico, como o nome já diz, você aprende os fundamentos básicos. Na prática, o mergulhador fica 100% focado em si mesmo e no próprio equipamento, sua percepção externa ainda é pouco desenvolvida. O máximo que percebe são o guia e o dupla, os bichinhos quando são muito evidentes. Mas não desenvolveu uma visão ampla para o meio e como interpretá-lo. Mesmo fazendo um bom curso, numa boa escola e com uma boa certificadora, o mergulhador precisa praticar bastante depois do curso.

Já no curso avançado o mergulhador amplia um pouco mais sua percepção externa ao praticar atividades que aumentam sua experiência.  Mas mesmo assim precisa buscar ser mais autônomo ao executar o seu mergulho desde o início. E ainda lhe falta mais experiência em analisar todo o contexto do mergulho.

Mas nada como treinamento do curso de resgate para o mergulhador se tornar mais completo. Este treinamento aumenta sua capacidade na tomada de decisões baseada no aumento de sua percepção do cenário como um todo, incluindo o seu dupla e outros mergulhadores.

O desenvolvimento desta percepção passa por alguns pontos essenciais:

  • Observação das condições ambientais e locais de entrada e saída (habilidade aprimorada no curso avançado);
  • Observação das atitudes de outros mergulhadores;
  • Maturidade no reconhecimento de seus limites;
  • Reconhecimento do estresse antes que gere pânico;

Você precisa estar preparado. Neste curso você desenvolve a PRONTIDÃO (estar pronto para agir) em dois níveis: Pessoal e de Equipamento.

Pessoal, para desempenhar bem a atividade de mergulho você precisa ter um certo nível de condicionamento físico. Numa situação de emergência além do condicionamento físico, mental e de treinamento. Como você deve agir passa bastante pelo seu conhecimento adquirido no Curso de Resgate e EFR, bem como pela sua experiência e estudos. Porém somente a prática e a reciclagem de suas habilidades é que te darão mais auto confiança de como agir numa situação de emergência.

Traçando um paralelo, empresas de médio a grande porte de mergulho comercial que prestam serviços a grandes empresas têm seus programas anuais de treinamento, que incluem várias simulações de emergência.

Equipamento, você precisa ter disponível equipamentos vitais para um bom suporte numa situação de emergência ou para evitar que chega a tanto. Quanto mais complexo mergulho ou ermo for sua localização, mais elaborado será a lista de equipamentos e a garantia de seu bom funcionamento.

Contudo, acredito ser extremamente recomendável que qualquer mergulhador faça o Curso de Resgate. Na minha opinião é um conhecimento básico para que nossa diversão seja mais segura.

Um adendo a este texto: No programa Mergulho Técnico da PADI – o PADI TeRec – a partir do Tec 45 o Curso de Resgate é pré-requisito. Uma atividade com um grau de complexidade muito maior que o mergulho recreativo demanda conhecimento e treinamento dos procedimentos de resgate atualizados. Na minha opinião é muito mais confortável ter um dupla preparado numa atividade tão desafiadora.

Trace o seu plano de evolução como mergulhador passando pelo Curso de Resgate, certamente você estará mais preparado e terá diversão garantida.

Texto por: Ivan Costa Santos | PADI Course Director

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